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Archive for março \23\UTC 2009

Calma

Quando tudo parece calmo e os novos caminhos já estão se tornando familiares, a vida perde um pouco o sentido. Quando o que você faz já virou tão mecânico que nem mais aquela dorzinha de barriga de ansiedade dá, as coisas perdem a graça. Quando não se sente mais medo de se perder, ai você se perde.

Na realidade nunca tive muitos momentos de sossego, calmaria.  Talvez nunca o tenha permitido entrar e sentar comigo na sala. Todas as vezes que ele tentou se aproximar, se não o expulsei grosseiramente eu o exorcizei. Marasmo e eu, eu e ele. Não temos uma história juntos.

Ainda não consigo compreender o por que disso. As vezes ele é importante, como para aquela bela noite de sono, aquele cigarrinho saboroso de madrugada, aquela volta pra casa de final de tarde, tendo como companhia o pôr do sol.  Momentos que devem ser sem ansiedade, sem medo, sem pressa, sem rumo.

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Destinos

A história de quando um argentino barbeiro salvou minha vida.
 
Quinta-feira, 12 de março de 2009. Acabada a aula do Magru, no curso de Jornalismo da Univali, cansada de um dia de trabalho e mais quatro horas devaneando sobre a crise mundial, pego minha bolsa e rumo de volta para casa. Naquele ritmo de pegar um cigarro, procurar o isqueiro, ligar o som e dirigir ao mesmo tempo, saio afobadíssima a caminho da BR 101. Mas antes de chegar na rodovia, encontro o primeiro carro, de uma viagem irritante, que me atrasa. Colo na traseira dele e ele vai pra pista da direita. Posso prosseguir.
 
Logo adiante, no trevo da Contorno Sul para pegar a BR 101, um motorista que não lê placas, se atravessa na minha frente. E era apenas a segunda da noite. Entro na rodovia. Com uma velocidade permitida (o máximo da permitida), sigo para casa. Uns 5 km adiante um caminhão se atravessa na minha frente para ultrapassar. Reduzo a velocidade. Calma, Ana, ele vai ultrapassar e ai a gente segue o caminho, diz meu carro para mim (rss, mentira, ele não fala ainda). Bom, caminhão na pista da direita e beleza, ultrapasso ele de uma vez.
 
Tem água na pista e esta chuviscando. Sem muita visibilidade, percebo um carro que fazia o retorno, simplismente aparaecer na pista rápida, numa velociade de 40 km por hora. Dou sinal de luz, buzino, xingo a mãe dele, e continuo o caminho. Passo Balneário sem percalços e chego no Morro do Boi. Geralmente neste trecho estou muito embalada, para conseguir manter pelo menos uns 100 km/h na subida.

E agora chegou a parte que o argentino salvou minha vida. Quando eu começo a descer, vejo um cenário que me apavora. Um caminhão e três carros no lado direito da pista e mais dois carros no lado esquerdo. Restando de três pistas, apenas uma faixa e meia para passar carros. Sendo que nesta faixa e meia, dois homens recolhiam  pedaços de um acidente que tinha acabado de acontecer. Se eu tivesse rápido talvez não conseguisse brecar. Talvez se não fosse um argentino barbeiro, eu mesma poderia estar naquele acostamento.
Viajo de carro muito tempo, e posso assegurar que esta foi a minha viagem mais enrolada e que encontrei o argentino barbeiro mais barbeiro de todos. Não acredito em deus, não sou religiosa, mas acredito em energia. Essa energia que faz com que os argentinos não aprendam a dirigir  e salvem vidas de pessoas quando estejam fazendo sua viagem de férias.
Mas desta vez não foi assim. Eis que na primeira curva, surge um Polo azul marinho, com placas da Argentina, para atrasar pelo menos metade da subida do Morro do Boi. Desta vez eu xinguei até a prima da tia da vizinha da mãe do argentino, buzinei e dei sinal de luz. Até que ele saiu de minha frente. Mas nesta hora não tinha mais embalo. E se você esta na metade de um morro com um carro mil a 60 km/h, você não vai aumentar muito mais que isso. Cheguei ao topo do morro numa velocidade moderada.

 

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A frase

E eu olhei pra ela e disse:

– Não me importa mais o que você acha!

Depois desta frase, tão verdadeira e tão expontânea, e, sem ter pensado sobre seu significado, percebi que muita coisa já tinha mudado em nossa relação. Geralmente as coisas acontecem ao contrário, eu penso, percebo que as coisas pegaram novos rumos e depois estes novos rumos invadem minha vida. Mas desta vez não. A frase veio e a despejei. E, depois, veio o estalo.

Mas antes não tivesse dito nada. Muito menos ter sentido o nada. O do vazio, aquele que dá quando perde alguém, perde referência. Alguém que sempre escutei, considerei, confiei. De repente, num domingo chuvoso, no meio de um brigadeiro na panela, eu me deparo com a frase, com a constatação, com a perda.

Ela não disse, só olhou. Olhou por algum tempo. Deu de ombros, e virou. Essa era nossa confirmação. Continuamos ali, comendo brigadeiro e tomando coca-cola. Aquela nova verdade entre a gente já estava sendo construída há tempos. Só não tinha se expressado. Não tinha virado frase. Não tinha sido ouvida.

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